23/08/11

falar alto.  falar muitas vezes.
«Eles amavam-se, no fundo eram felizes.
Mas no meio de tudo, numa relação feliz, também exite a mágoa e a perda de toda essa felicidade:
CERTO DIA, o telefone toca, ela atende meio sem pensar em quem possa ser:
Ela: Sim?
Ele: Sim, sou eu!
Ela: Tu de novo?
Ele: Não desligues! Deixa-me falar.
(Ela fica em silêncio)
Ele: Olha, eu sei que terminámos. Mas, eu ainda te amo! Tudo bem, se não quiseres mais ficar comigo. Mas não era preciso deixares de me falar! Prometeste-me que nunca irias sair do meu lado.
Ela: Tu ainda não entendeste? Eu quero-te esquecer!
Ele: Eu entendo, mas podemos pelo menos ser amigos.
Ela: Não não podemos.
Ele: Porquê?
(Ela não lhe responde)
Ele: Nós eramos felizes! Divertiamo-nos sempre. Só de olharmos um para o outro, já sorriamos. Poucas palavras já fazia o nosso dia valer a pena, não era?
Ela: Era.
Ele: Então explica-me, porque é que não podemos ser amigos?
(Ela fica novamente sem lhe dar qualquer resposta)
Ele: Responde-me.
Ela: Porque eu não te quero ver mais, fizeste-me chorar!
Ele: Eu sei, mas também te fiz sorrir! Desculpa se duvidei de ti, eu sei que não devia.
Ela: Agora é tarde para desculpas.
Ele: Mas (...)
Ela: Adeus.
Ele: Espera, eu amo-(...)
(Ela desliga-lhe o telefone.)
Até que passado uns dias, o telefone volta a tocar:
Ela: Sim?
Ele: Estou? Sou eu, outra vez!
Ela: Tu de novo!? O que é que foi desta vez?
Ele: Calma! Só te quero fazes uma pergunta.
Ela: (...) Fala.
Ele: Amaste-me mesmo?
Ela: Amei.
(Ambos permaneceram em silêncio por um momento)
Ele: Que bom. Quer dizer que nao foi tudo mentira.. Posso dizer-te uma coisa?
Ela: Diz.
Ele: Eu ainda te amo e sempre vou amar. Eu prometo-te! Não importa quanto tempo possa passar, eu vou sempre gostar de ti.
Ela: (...) Sim, sim, claro!
Ele: É verdade!
(Silêncio)
Ele: Estou? Estás aí?
(Ela desliga o telefone)
Passou um mês e o telefone volta a tocar:
Ela: Sim?
Ele: Sou eu, não desligues por favor!
Ela: Porque é que não deveria?
Ele: Por favor, vamos terminar este assunto. Já nem te consigo ver na escola!
Ela: Eu mudei de escola.
Ele: Quê!? Ma porque fizeste isso?
Ela: Não te quero ver mais, para mim já chega.
(Silêncio)
Ela: Então? O que me querias dizer afinal?
Ele: Porque é que tu ages como se me quisesses magoar?
(Silêncio)
Ele: Fala!
Ela: Então e tu, nao me magoaste? Prometeste-me que ias confia em mim ...
(Silêncio)
Ela: Tu só fizeste promessas, e fizeste questão de as quebrar depois!
(Silêncio)
Ela: Porque é que não me esqueces?
Ele: Porque o dia em que eu te esquecer, estarei morto.
Ela: Então morre!
(Ela desliga-lhe a chamada, novamente.)
Passaram mais alguns meses. O rapaz continuou a ligar-lhe, mas ela deixou de lhe atender os telefonemas. Até que um dia, por algum motivo, ela atendeu:
Ela: O que queres?
Ele: Espera, não desligues não vim correr mais atrás de ti.
Ela: O que?
Ele: Sim, eu já te esqueci.
(Silêncio)
Ele: Só te liguei para te dizer isso.
Ela: Porque é que decidiste esquecer-me agora?
Ele: Porque tu pediste?
Ela: Como assim?
Ele: Eu amo-te e sempre vou amar. Mas vou te esquecer.
Ela: O que!? Não estou a entender!
Ele: Adeus.
Ela: Não, ESPE(...)
(E desta vez, quem desligou a chamada foi ele.)
Passou um mês, o rapaz deixou de lhe ligar. A rapariga começou então, a ficar preocupada com ele.
Foi então que decidiu ir á casa dele, para ver o que realmente se passava. Uma senhora abriu-lhe a porta.
Ela: Olá.
A mãe do rapaz demorou um pouco, mas reconheceu a ex do seu filho:
Mãe dele: Olá.. há quanto tempo, o que a trouxe aqui?
Ela: Eu vim ver como está o seu filho.. Será que posso falar com ele?
(A mãe dele começou a chorar.)
Ela: Você está bem?
Mãe dele: Não soubeste?
Ela: Do quê?
Mãe dele: Ele.. matou-se.
Ela: O quê!? (Os olhos ela encheram-se de lágrimas)
Mãe dele: Penso que foi para ti que ele deixou esta carta.
A rapariga pegou na carta e foi para casa. Quando chegou a casa, fechou-se no quarto, sentou-se na cama e começou a chorar.
Algumas horas depois, ela ganhou coragem e abriu a carta.
"Eu seu que não cumpri uam promessa quando não confiei em ti.. Mas não quero quebrar mais nenhuma. Agora sim, eu já posso dizer: eu esqueci-me de ti."
A rapariga percebeu que aquele ultimo telefonema tinha sido uma despedida. Ele já tinha avisado o que faria, mas ela não havia entendido.
O rapaz havia cumprido a promessa de que iria amar até ao fim, e que só a esqueceria quando morresse. Pois só lhe quis provar que cumpria as suas promessas, de um jeito ou de outro.
O que o rapaz não sabia, é que todos os dias a rapariga esperava pelos seus telefonemas. E que sempre que desligava, começava a chorar. Por mais que dissesse que queria esquecê-lo, ela apenas se tentava convencer a si mesma disso. A rapariga sempre o tinha amado, mas depois de tudo, o orgulho falou mais alto, não querendo assim admitir o que o coração lhe sussurava ao ouvido.
No dia seguinte, encontraram-na enforcada no seu quarto, com uma carta escrita por ela, onde dizia:
"Tu cumpriste as tuas promessas, agora eu tenho de cumprir a minha. Ficarei ao teu lado, não importa o que acontecer."
Os dois cumpriram as suas promessas. Arrependeram-se apenas de uma coisa: não as terem cumprido juntos, em vida.»